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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cartas a um viciado


Lançamos o livro no dia 7. A cerimónia foi dirigida pelo Movimento Lev'arte Angola, o mestre-sala foi o Sr. Kiokamba Cassua. O encontro teve uma música de fundo da Banda Ágape (Kito Ramiro, Lázgury e Duda de Matos), a mesa contou com as presenças de Dr. Alexandre Saúl, Dr. Sampaio e claro uma multidão de convidados, todos eles muito especiais. O que se pode dizer de tudo isso é que nenhum sonho de valor pode ser realizado por uma pessoa apenas, e no nosso caso (a Ivandra e eu), contamos com todos os que se fizeram presentes lá, com os que terão conhecimento do nosso trabalho tanto pelo contacto com ele como pelo contacto com pessoas que tiverem contacto com ele. Sinto-me abençoado não só por ter co-escrito o livro, mas sobretudo por poder contar com tanta gente...
Valeu mesmo amigos. Sinto-me nas nuvens, o Movimento Lev'arte levou lá.
Muito obrigado ao Senhor nosso Deus por ser tão maravilhoso com os seus. Obrigado amigos. Estamos juntos.
A propósito, sábado estaremos na União de escritores e domingo na Praça da Independência para continuarmos com a festa. Até lá, ou como se diz no Lev'arte, até Palavras!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Ode às letras

Não posso julgar a poesia que ouço
Mas não me esquivo da poesia que sinto
Que me barafunda o interior com palavras que não conheço
Enquanto outros me incentivam a passar por caminhos que desmereço

Não posso julgar as frases cuja origem desconheço
Mas posso julgar-me a mim
Se o caminho com as letras aborreço
Se a caneta que dá cor ao meu sangue adormeço.

Eis que minha paixão
É também, minha condenação
Por pouco e às vezes tanto
Esconder-me da frugalidade de mim, é minha missão
Sine qua non para trazer à luz
As vívidas palavras
Que removem do desespero a negrura
E devolvem à esperança a verdura

Minha vida, meus sonhos, meu horizonte nada mais são
Senão a dor que não posso negar
A alegria que não posso evitar
O pranto que procuro enfeitar,
Enfim, A vida que me faz versejar:
Minhas letras impressas
No coração dos levam os papéis que assinei

terça-feira, 8 de junho de 2010

Esquisitices


Estou no Lubango a participar de um seminário para escritores de liçöes bíblicas. Ando acantonado no ISTEL e só saio para almoçar. Vi um amigo apenas, o Angelo Samessele, mas ele teve de vir cá ao sítio. Acordo cedo, mas também durmo muito cedo, säo 20h03 e tenho os olhos cheios de sono. A minha vida está mesmo mudada.
Estou a reflectir na minha vida, se já fiz o essencial ou se ainda falta. Claro que falta. Mas quando penso nisso penso nos livros que sei que deveria escrever, penso no estilo de vida que deveria adoptar para que tais textos deixassem de ser teoria e pulassem para papel, mas também penso na responsabilidade de viver com qualidade; o Isaías Joäo gosta de citar aquele filósofo que (espero näo cometer uma gaffe) dizia "primeiro viver e depois filosofar", e fico paiado.
Caros escritores, a nossa missäo é muito nobre, mas o tempo é muito curto. Temos de deixar algumas partes de fora, temos de deixar de acumular textos na cabeça, a vida é uma neblina, começa agora e puff, acabou. Escrevamos amigos, esgotemos as nossas ideias, façamos os nossos coraçoes reclamarem por sugarmos tudo, enfeitemos as ruas, os blogs, as folhas, os livros com palavras bonitas. As regras säo importantes, desde que näo destruam a beleza das palavras, a dedicaçäo é fundamental, tal como disse André Lima, o professor do seminário que estou a assistir: "o texto escrito sem dedicaçäo será lido sem prazer". Escrevamos amigos e amigas. Falando nisso, ocorreram-me frases enquanto voltava da Tundavala:
"Quero, mais do que os mumuílas desejam aquele leite estranho
descer pelas tuas acentuadas curvas com a mesma responsabilidade que os motoristas descem a Leba
E dizer-te que vi a fonte escondida
Aquela que brota das pedras
e se estatela aí, pra quem quiser morrer"
Mas ainda näo pensei bem nisso para acabar bem. Preciso voltar a minha confusäo para terminar isso. A beleza é encantadora; vivo-a profundamente.
Está tudo muito confuso, mas, escrevam, a vida é mesmo assim.
Forte abraço

terça-feira, 25 de maio de 2010

Artes Vivas


Escrever é um caminho que abre caminhos. Hoje estive no Artes Vivas, no espaço Bahia. Comemorámos mais um aniversário do continente africano; estava lá a malta toda (excepto a que não foi, claro!), pessoal do Artes Vivas, Lev'arte e Prais'Arte. Fantástico!
O encontro começou com música, infelizmente perdi o nome da banda - mas os gajos são bons a sério - depois o anfitrião (Lukeny, que diga-se de passagem, vai lançar um CD no dia 6 de Junho na praça da Cultura) fez um rodízio de bons poemas e alguma spoken word de grande qualidade (valeu Ludmila) e os dois manos do Lev'arte declamaram o meu poema preferido: Ainda... No meu sangue! Outro mundo!!!
Depois entrou a Lueji para fazer uma mesa bicuda, mas como o madié que lá deveria estar não apareceu, apareci eu, e falamos, e trememos, e falamos. Eu olhava para ela em busca de encorajamento, e ela tremia. Ela olhava para mim, eu era como uma cana açoitada pelo vento: Ainda... gotinhas do meu sangue...
Mas falamos. Não precisamos ser perfeitos, vencemos os nossos medos enquanto fomos falando, perseveramos, dominamos a nós mesmos e continuamos a lutar, certos de que o medo não vai embora sem que nos disponhamos a manda-lo embora com os primeiros passos. Valeu Dharma, tens uma alma e tanto! Obrigado malta, obrigado mesmo...
Ainda...
No meu sangue
Já disse e repito: estes movimentos têm muito a dizer... Vocês pensaram e agora está a acontecer;
Todos podemos chegar lá: Tudo começa e se define na mente: Nada mais, nada menos

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Artesãos da esperança


Estive no Prais'arte há pouco mais de dois meses (se a memória não me trai) e no Lev'arte ontem. Além de ter conhecido o pessoal ultra carinhoso dos dois lugares, ainda tive o privilégio de trazer um livro autografado pela Lueji Dharma. A noite foi um sucesso em termos de declamação e trago ainda algumas frases comigo:
- Ainda...
- Mulher...
- Nas ruínas da Babilónia
- O meu sangue...
Gajos porreiros aqueles! Uma noite aproveitada até ao fim.
O que vejo de louvável nestas iniciativas é que acredito que as mudanças vêm de coisas pequenas: um poema, uma música, uma trova, uma palavra carinhosa, um gesto encorajador, enfim, um toque humano.
Louvo os esforços destes tipos. Mesmo que às vezes se sintam desprezados, incompreendidos, ou solitários. Coisas pequenas, são mais fáceis de realizar e também mais fáceis de digerir.
Deus vos abençoe, o caminho é mesmo este